
Os personagens fictícios Maria de João e João de Maria, criados por Buca Dantas, representam a relação entre a devoção popular aos Santos Mártires e a comunidade. Herdaram de seus antepassados a fé, que cultivam e propagam em suas histórias cotidianas, mantendo viva a tradição e a identidade da comunidade de fiéis.

Importante comerciante franco-hispânico, chegou com sua família à Capitania do Rio Grande em 1597. Era sogro do capitão Joris Garstman, comandante da Forte dos Reis Magos. Após o massacre de Cunhaú, refugiou-se na fortaleza depois que sua propriedade foi invadida pelas tropas de Jacob Rabbi. Integrou o grupo dos doze primeiros mártires assinados em 03 de outubro de 1645 em Uruaçu.

Jacob Rabbi era um judeu alemão, originário de Waldeck, que veio para o Brasil com o Conde Maurício de Nassau, em 23 de janeiro 1637. Foi enviado à Capitania do Rio Grande em 1642 com o objetivo de estreitar os laços entre os holandeses e os indígenas. Ordenou e comandou os sanguinários massacres de Cunhaú e Uruaçu no ano de 1645, que vitimaram mais de 70 fiéis católicos.

Integrou a Câmara dos Escabinos, uma espécie de câmara municipal liderada por holandeses. Acompanhou o Capitão Joris Garstman a Recife para denunciar os abusos de Jacob Rabbi em terras potiguares. Foi casado com Dona Bárbara Vilela, filha do Juiz Antônio Vilela Cid. Foi levado da fortificação Potengi e aprisionado no Forte dos Reis Magos, posteriormente morto em Uruaçu junto com duas filhas menores.

Foi um dos quatro reféns levados da fortificação Potengi para a Fortaleza dos Reis Magos, e martirizados no primeiro grupo de 12 pessoas em Uruaçu, na manhã do dia 03 de outubro de 1645.

Criados por Buca Dantas, Amélia de Zé Maria e Zé Maria de Amélia representam a união entre fé e cultura popular em São Gonçalo do Amarante. O casal de agricultores mantém viva a devoção aos Santos Mártires e a herança ancestral presente no folclore e na identidade da comunidade.

Beatriz Lostau Caza Mayor, filha de João Lostau de Navarro e Luzia da Mota, nasceu em Portugal e chegou ao Rio Grande em 1597. Em 1641 casou-se com o capitão holandês Joris Garstman, com quem teve dois filhos. Após o massacre de Uruaçu, intercedeu junto ao marido para acolher viúvas e órfãos e obteve das autoridades holandesas permissão para sepultar as vítimas, incluindo seu pai, Lostau de Navarro.

Sacerdote português, natural dos Açores, chegou ao Brasil na primeira metade do séc. XVI. A partir de 1636 atuou como pároco de Natal. Em 1645, refugiou-se na Fortaleza dos Reis Magos, fugindo da perseguição dos holandeses calvinistas. De refugiado passou a prisioneiro com mais 11 homem, formando o primeiro grupo martirizado em Uruaçu em 03 de outubro do mesmo ano, pelas tropas de Jacob Rabbi.

Nascido em Castela na Espanha, chegou à Capitania do Rio Grande em 1613, onde recebeu terras na Várzea do Trairi. Em 1620, assumiu o cargo de juiz ordinário da cidade do Natal. Foi casado Dona Inês Duarte, irmã do Padre Ambrósio Ferro. Acusado do assassinato e conspiração contra os holandeses, foi preso na Fortaleza dos Reis Magos, sofrendo martírio em 03 de outubro de 1645 em Uruaçu, junto com mais 11 homens, entre eles seu cunhado sacerdote.

Além do Pe. Ambrósio e de João Lostau, Diogo Pereira foi um dos refugiados recebidos na Fortaleza dos Reis Magos. Estava no grupo dos 12 primeiros mártires mortos em Uruaçu.

Personagens fictícios que integram o roteiro histórico do documentário. Eles representam a força militar durante o período do domínio holandês no Rio Grande do Norte. Liderados pelo Comandante Jacob Rabbi, eles aparecem nas cenas gravadas no Forte dos Reis Magos (Natal) e no Porto da Guabiraba (Uruaçu).

Joris Garstman (Jorge Garstman), militar holandês, integrou a frota de Lichthart e tornou-se, em 1633, o primeiro governador do Rio Grande após a tomada do Forte dos Reis Magos. Reconhecido por sua administração equilibrada e eficiente, acolheu viúvas e órfãos do massacre de Uruaçu e obteve autorização para sepultar os corpos dos mártires. Em 1646, ordenou a execução de Jacob Rabbi, vingando a morte de seu sogro João Lostau Navarro.

João e Jacinta, africanos escravizados fictícios criados por Jota França, integram o roteiro do documentário Santos Mártires – das Relíquias à Devoção. Presentes na cena da “Melodia Celestial”, registrada por cronistas como Monsenhor Paulo Herôncio, pertencem ao casal Jorge e Beatriz Garstman e testemunham, a partir de sua condição, os fatos que marcaram a história potiguar.

Na obra Os Holandeses no Rio Grande, Monsenhor Paulo Herôncio narra um episódio milagroso após o martírio de Uruaçu: a aparição da Virgem Maria à jovem Adriana, filha de Diogo Pinheiro. Vestida de branco e azul, a Senhora lhe anunciou a punição dos hereges. Desde então, Adriana tornou-se porta-voz do testemunho dos mártires e da justiça divina prometida pela Virgem.

No roteiro contemporâneo do documentário, Buca Dantas apresenta Dona Lourdes, personagem que traduz a devoção popular em tom poético, revelando como fé, arte e natureza se entrelaçam em um mesmo universo simbólico.